Quando menos é mais

por Fabrícia Eliane

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Fizemos uma viagem de férias no ano anterior e, como nosso porta-malas é pequeno, pedi ajuda de meu filho (na época com tinha 5 anos) para arrumar sua mala de brinquedos: dei-lhe uma malinha pequena de pano e disse que escolhesse o que levar para brincar que fosse essencial para uma semana.

Primeiro ele quis colocar as pelúcias, fantoches e o boneco Waldorf que fiz que ele deixa em sua cama todos os dias: isso já quase lotou a malinha. Separou mais alguns carrinhos e escolhemos um livro: “As aventuras do saci”, de Monteiro Lobato. E fomos.

A casa era simples, com o básico, mas não precisávamos de nada além do que tinha ali. O espaço externo era deliciosamente amplo, com muito verde, espaço para correr, passarinhos para observar, cheiros para sentir e muitas estrelas a noite para admirar.

Logo que chegamos nosso filho foi colocar os bonecos na cama de cima da beliche, onde dormiria. Na cama de baixo prendi um lençol na lateral e virou sua cabana.

Durante o dia passeávamos ou brincávamos do lado de fora da casa, usando elementos da natureza, que por vezes se mesclavam aos seus carrinhos. Uma das brincadeiras favoritas dele era tentar andara como se fosse um leãozinho, bem calmamente, para tentar apanhar nas mãos um passarinho.

Construímos uma cabana com barbante, galhos, bambu e folhas de araucária e foi uma experiência muito rica para ele. O próprio processo de construção foi um momento muito importante para o fortalecimento de vínculos.

Com a cabana pronta, íamos muitas vezes lá com os bonecos e ou carrinhos para brincar. Os passarinhos  muitas vezes vinham também visitar a cabaninha.

A noite, o ponto alto era olhar o céu. Enrolados numa coberta, íamos quase todas as noites ver as estrelas, procurar constelações, a via láctea, a lua…

Outra coisa que era diversão garantida era brincar de produzir sombras com o abajúr da sala.

Pedras, flores, folhas, galhos, retalhos, tudo era material para brincar. Correr no gramado, brincando de pega-pega onde o pique era a cabana também era diversão garantida.

Não precisávamos de quase nada para brincar. A natureza nos oferecia e oferece muitos materias para isso! Materiais muito ricos, pois permitem que a criança tenha muita autonomia na criação, na resignificação, subvertendo o uso convencional.

Na cidade, encontramos um parquinho público muito agradável também. Brinquedos simples, mas no geral, fortes, algumas árvores, gramado e uma área grande com areia. Ali, com os pés descalços, em meio a outras crianças, brincadeiras tradicionais, jogos simbólicos ou o uso convencional dos brinquedos do parque ganhavam espaço, sem a necessidade de nenhum outro brinquedo.

Sem precisar de caixas e mais caixas com brinquedos, acumulados, parados, por vezes quase nunca “brincados”, as crianças podem se divertir, e muito! E se o espaço permitir o contato com a natureza o brincar se tornará sem dúvida ainda mais rico.

E para dormir, uma boa história sobre o Saci fechava nossas noites, povoando o imaginário infantil com nossa cultura popular…

Texto publicado com autorização da autora. Entre em contato direto com Fabrícia:  fabriciaeliane@yahoo.com

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