Carta ao Rei

“Eles não lavram, nem criam. Não há aqui boi, nem vaca, nem cabra, nem ovelha, nem galinha, nem qualquer outra alimária, que costumada seja ao viver dos homens. Nem comem senão desse inhame, que aqui há muito, e dessa semente e frutos, que a terra e as árvores de si lançam. E com isto andam tais e tão rijos e tão nédios, que o não somos nós tanto, com quanto trigo e legumes comemos.”

Pero Vaz de Caminha

.

365/020

Aos 20 dias do mês de janeiro de 2020, cá estou, Majestade, olhando para a imagem da última capivara e pensando o que escrever.

A ideia foi fazer o início de uma roda. O rio – Reino Mineral, a Capivara -Reino Animal, a Indiazinha – Reino Humano e a Jovem Árvore – Reino Vegetal.

O Humano representado por um ser que tem a exata dimensão de que tudo está unido. Que a vida vem da terra, da água, da relação harmoniosa entre todos os seres da natureza.
Poderia ter encostado no cenário máquinas, cidades, fogo, veneno e armas. Pois a isto chegamos Majestade!
Desculpe-me pela sinceridade, mas a ocupação foi um fracasso! A vida corre perigo aqui nas Terras de Vera Cruz! Tanto que alguns estão voltando para a Terrinha.
Mas ainda somos muitos. Nos reproduzimos assustadoramente em 520 anos. A maioria de nós não porta armas, nem tochas ou veneno, mas nos falta a coragem e a ousadia para entrar na roda da vida.

Esse post foi publicado em Uncategorized. Bookmark o link permanente.