Receita de Mesa de Época

Receita de Mesa de Época

A Terra é viva, inspira e expira, em grandes e pequenos ciclos, movimento dentro de movimento. Tudo no Universo é rítmico. O que vive se manifesta em ciclos de diferentes durações, interligados e interdependentes como os sons e as pausas de uma grande sinfonia. Tudo vive, o mais antigo diamante, forjado nas entranhas do planeta e a flor efêmera do deserto!
O Homem iniciou sua jornada sobre a Terra, uno com ela e com os processos cósmicos. Para se tornar o ser individual e pensante, que é hoje, trilhou um longo caminho, desenvolvendo suas capacidades intelectuais e sua consciência. Criou novas leis, novos ritmos e se distanciou de sua natureza cósmica. Estamos vivendo o momento de retorno. O Homem, agora autoconsciente, volta seus olhos, seus sentidos e o seu pensar, para os processos naturais, e busca sua religação com a Mãe Terra, com o Universo.
Fazer uma mesa de época é criar um espaço interno (nossa casa, nossa sala de aula), onde o ciclo de manifestação atual da Terra é representado. Nosso microcosmo, nosso pequeno elo.
Começamos respirando, caminhando, observando e sentindo a época. Quais os impulsos presentes? Como a natureza traduz esses impulsos em cores, formas, texturas, temperatura e movimento?
Que aromas sinto? Como está o ar? Há vento? O vento é quente ou frio? Saltitante ou furioso? E as águas? As nuvens? Como são as manhãs, as tardes? De que cores o céu se veste entre o dia e a noite? Os animais e a plantas, como dançam nessa época do ano? O que eu vou coletar, dentre as imensas dádivas que a Terra me oferece para compor minha Mesa de Época?

Tem receita?
Não tem receita, apenas mais perguntas, agora ordenadas, sugerindo uma composição:

1. Como percebo o momento da Terra, no reino mineral, nos processos de longa duração? Como olho, como sinto o que é constante e sólido na minha vida? Muitas coisas permanecem, mas percebo que o meu olhar mudou. Quais as pedras e conchas que escolherei para compor a minha pequena Terra, o meu pequeno Universo? Como será o meu solo? Seco, úmido, frio ou quente?

2. Com que roupas, com que cores, a Mãe Terra se veste nesse momento? Como estão as plantas, os tons de verde? Há flores? Quais são suas formas, cores e aromas? Que tecidos escolherei para compor o meu cenário? Leves, claros e esvoaçantes, ou os pesados e de cores fortes? As plantas estão crescendo ou dormem sob o manto da Terra? São sementes ou são frutos?

3. O que estão fazendo os animais que vivem livres? Estão dançando as danças de acasalamento ou cuidando dos filhotes? Qual o movimento? Preparar o ninho, procriar, gerar ou cuidar? Como este impulso, que percebo no reino animal, pode ser representado,  na minha mesa de época? Terei um grande jardim florido, onde os pássaros cantam e dançam, ou terei um ninho aconchegante que precisa de calor, silêncio e recolhimento?

4. Como chegam até o meu ser todos os impulsos que percebo no grande inspirar e expirar da Terra? Nos pequenos e grandes movimentos de tudo o que é vivo? Como os impulsos que agora, começo a perceber nos reinos da natureza podem ser traduzidos em imagens? Com que cores, texturas e formas essas imagens podem ser representadas? Qual é meu cenário? Que conto vou contar para as minhas crianças para alimentar nossas almas nessa época? Que personagens vão habitar esse pequeno universo, esse cantinho da Terra que acabo de criar?

Abraços fraternos,

Fátima Rodrigues, agosto de 2014, feliz com a minúscula flor rosa que nasce em todas as frestas, muros e vasos do bairro, nesta metrópole que é São Paulo. Sempre em agosto, sempre rosa, sempre redonda!

© Fátima Rodrigues, 2014
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